Surdez hereditária: quando investigar e como a genética pode impactar sua audição

Surdez hereditária: quando investigar e como a genética pode impactar sua audição

Você sabia que a perda auditiva pode ter origem nos nossos genes? Muitas pessoas desconhecem, mas a surdez hereditária é uma das principais causas de surdez congênita, representando cerca de 50% a 60% dos casos em algumas populações. Esse tipo de perda auditiva é decorrente de mutações genéticas herdadas de um ou ambos os pais e pode se manifestar já nos primeiros meses de vida ou surgir de forma progressiva ao longo dos anos.

O que é a surdez hereditária?

A surdez hereditária é um tipo de surdez congênita causada por alterações genéticas que afetam diretamente a anatomia ou o funcionamento do sistema auditivo. Ela pode se apresentar de duas formas:

  • Surdez sindrômica: quando a perda auditiva é acompanhada por outros sinais clínicos, como alterações visuais, motoras ou metabólicas;
  • Surdez não-sindrômica: quando a perda auditiva é a única manifestação, sem associação com outras condições clínicas.

A surdez pode ser total ou parcial, e suas causas englobam desde fatores puramente genéticos até fatores ambientais ou a interação entre ambos. Entre os fatores não genéticos, destacam-se infecções congênitas (rubéola, toxoplasmose, sífilis), otites recorrentes, traumas cranianos e o uso de medicamentos ototóxicos.

A importância da triagem neonatal genética

Com os avanços da medicina genômica, a triagem neonatal genética surge como uma ferramenta essencial no diagnóstico precoce de doenças silenciosas. O Teste da orelinha, por exemplo, pode identificar centenas de condições genéticas logo nos primeiros dias de vida, incluindo aquelas associadas à perda auditiva.

Genes envolvidos na surdez hereditária

Mais de 124 genes já foram identificados como associados à surdez não-sindrômica, e mais de 400 síndromes genéticas incluem a perda auditiva entre seus sintomas. A diversidade genética explica os diferentes padrões de herança (dominante, recessiva, ligada ao X ou mitocondrial) e os variados graus de severidade da perda auditiva.

Entre os genes mais relevantes, destacam-se:

GJB2 (Conexina-26)

Mutações no gene GJB2 são responsáveis por 30% a 50% dos casos de surdez hereditária não-sindrômica em diversas populações. Esse gene codifica a proteína conexina-26, crucial para a manutenção das concentrações iônicas na cóclea. A mutação mais comum é a 35delG, que pode ocorrer de forma homozigota ou heterozigota.

GJB6 (Conexina-30)

O GJB6, que codifica a conexina-30, também está frequentemente envolvido em casos de surdez hereditária. Alterações simultâneas nos genes GJB2 e GJB6 podem levar a graus variados de perda auditiva, com penetrância completa (ou seja, todos os indivíduos portadores manifestam o sintoma), mas expressividade variável (graus diferentes de severidade).

Outras mutações identificadas

Em estudos recentes, destacam-se casos clínicos em que mutações como W172X (homozigota) e A7445G (em 12SrRNA mitocondrial) também foram identificadas como responsáveis por perdas auditivas severas a profundas, reforçando a importância de um painel genético ampliado na investigação diagnóstica.

Quando investigar a causa genética da surdez?

Algumas situações devem acender o alerta para a investigação genética:

  • História familiar consistente de perda auditiva congênita ou progressiva;
  • Surdez bilateral em recém-nascidos sem causa ambiental identificada;
  • Presença de outras alterações clínicas que sugerem síndrome genética;
  • Pais consanguíneos (com grau de parentesco);
  • Ausência de infecções congênitas ou traumas que justifiquem o quadro.

Nestes casos, exames como o teste genético auditivo, em conjunto com a audiometria infantil e outros exames especializados, ajudam a identificar o quadro de forma precisa.

A importância do diagnóstico precoce

Identificar precocemente a origem genética da perda auditiva permite um tratamento personalizado e mais eficaz. Isso envolve:

  • Escolha adequada do dispositivo auditivo (AASI ou implante coclear);
  • Estímulo precoce da linguagem e das habilidades cognitivas;
  • Acompanhamento familiar com aconselhamento genético;
  • Prevenção de atrasos no desenvolvimento comunicativo e social.

Com base na neuroplasticidade cerebral, quanto mais cedo o estímulo auditivo for reintroduzido, maiores são as chances de o cérebro reorganizar suas rotas e retomar as funções auditivas com qualidade.

Tratamento e reabilitação auditiva

Aparelhos auditivos de alta tecnologia, como os da linha Beltone, oferecem recursos avançados como inteligência adaptativa, direcionamento automático de microfone, e conectividade com dispositivos móveis. Esses recursos, somados ao ajuste fino por meio de protocolos como o Real-Ear Aided Response (REAR), garantem resultados mais precisos e satisfatórios.

Estamos aqui para acolher sua história auditiva

Na Audio Innova, acolhemos cada caso com escuta ativa, sensibilidade e tecnologia de ponta. Se você tem histórico familiar de surdez ou deseja compreender melhor a origem da perda auditiva, venha conversar com a gente.

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